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| [sonya fu] |
e, com toda a sensação
fim-desconcertante num filme
-aqueles que terminam com vírgulas-
recai o refrão:
é preciso se adaptar à solidão?
ou ainda, ao contrário:
não há que se adaptar a nada,
simplesmente não há comunicação.
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| [adam ek berg] |
quando era criança e trabalhava na roça, acontecia dela sentir um poema vindo pelo horizonte. era um trem de ar, relampejando. e, quando ela sentia aproximar, só tinha uma coisa a fazer: correr feito o diabo. E correndo, perseguindo enquanto era perseguida pelo poema, o que ela precisava era chegar na casa: pedaço de papel e lápis, rápido, pro poema poder relampejar no escrito.
mas tinham outras inda vezes: ela corria, e caia, e corria, mas o poema passava por ela e continuava até o horizonte, procurando outro poeta.
só que o melhor eram os quase perdidos: ela pegava o lápis no momento depois do justo, quando o poema já passava pra fora. então a outra mão vinha ajudar: pegava o doido pela cauda e puxava do avesso, como fosse, pra volta dela.
aí era que era o curioso: o poema vinha perfeito e intacto, mas da última palavra pra primeira.
Foi antes o muito amassado no carro,depois a mancha quase rosa no chão.
Mas só quando o plástico preto que cobria um corpo alto me apareceu do ladoé que o coração apertou.E o dia foi não dando certo pouco a pouco:fracassos cotidianos do lado dos tragedilouqüentes.
Mas no bendi das 15h33,um cachorro morimbundo me apareceu pra mostrar:não convém ignorar maus agouros.