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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quando o tio patriarca da minha Heloise mandou me capar, entendi: vida é dor.

Mas que dor? - posso perguntar em voz endemoniadamente gutural e tão pouco interrogativa que já mostra uma sugestão de resposta.
Mas o que da dor? - posso perguntar com olho faiscante de quem dança frevo desde os 6 anos e acabou vestir fantasia nova.
Mas que força é dor? - posso perguntar com o tom tão obviamente retórico da parteira que sabe que a resposta é só um empurrão.
Duvida? - posso perguntar guimarães-roseanamente pra aranha que fica atrás do armário.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

perfeição da maria-sem-vergonha ou "sobre a sobrevivência da obra"


Mas eu
não morro
nunca
e eternamente
busco
e consigo
a perfeição
das coisas
porque sou
ateniense
e sou grega



Sete Rios 
Entre Campos, 
Adília Lopes
in Dobra - 
Poesia Reunida
Assírio & Alvim, 
Lisboa: 2009

[Anthony Christian]