sábado, 21 de abril de 2018

Ainda entendendo o que eu nunca poderia ter sabido antes de sair de casa

[Patrick Cabral]

o poder
age nos
melancolizando

produz melancolia

quebrar a
fábrica de bile
negra
é também ver
que não é
propriamente negro
o desespero

é ocre
e vem do olhar opaco
pra repetição cafona
de uma tragédia sem
coro

sindicalizar a
usina de depressões
é também querer
ser apesar
da brutalidade

espelhar o ocre
até que ele seja
visto por quem
já não olhava

e lembrar
também nós temos
fala, essa liga misteriosa
que nos torna um corpo só
político

quarta-feira, 18 de abril de 2018

sobre mapear a lua

[usgs]

Eu
que não não aceito encomendas
vi a lua
vi o mapa
e lembrei dela que diz faire l'amour
e não baiser


terça-feira, 19 de dezembro de 2017



e a imensidão do som desse momento

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Fantasia é recurso, disse o sotaque muito português antes mesmo de chegar o escritor, estamos sempre tentando mesmo é lidar com estes conceitos éticos de saber o que é bom e saber o que mal.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

domingo, 5 de novembro de 2017

Ela chamou homens isso que é difícil de nomear.

Ele procura no Outro o reconhecimento
da natureza negativa
indeterminada
do próprio desejo.

Ela voltou a encontrar,
depois de tanto tempo,
uma formulação.

Ele sabe, ser reconhecido pelo Outro não 
implica ter assegurado meus predicados.

Ela esfriou o café e pensou na ex - era seu aniversário.

Ele definiu a especificidade de ser vivente (Lebendiges)
através da sua capacidade de sentir falta,
excitação (Erregung) que o leva à necessidade de movimento.

Ela complementou: sujeito é quem suporta (ertragen)
a contradição de si mesmo (Widerspunch seiner selbst)
produzida por um desejo que coloca a essência do sujeito no objeto.

Mas dizer isso é dizer pouco, ele disse.
Se fosse assim, o consumo seria satisfação.
E, no entanto...

E se, ela apoiou o café na mesa, através do desejo
a consciência procurar se intuir no objeto,
tomar a si mesma como objeto?






Talvez.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

"To craft a language with no adjectives", disse o Roland Barthes depois da 147a prova corrigida às 3h46,"No adjectives at all", 4h01, "Thereby to outwit the fascism of language.", depois do café com guaraná, "And to maintain the utopia of suppressed meaning."


In anxious anticipation, Tilley



sábado, 8 de julho de 2017

Olhar de perto ajuda, disse John Cage, e talvez esse seja mesmo todo o resumo do método.

não guardei o nome da pessoa que pintou / alguém sabe?

domingo, 11 de junho de 2017


É porque somos bicho social, disse nosso Platão, que somos bicho neurótico.
É porque somos bicho que ri, disse nosso Angelius Silesius, que chegamos a invejar a falta de inveja da rosa.




ou: "A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê..."

quinta-feira, 11 de maio de 2017

transliteração de um caderno
ou: exercício para
TRANSBORDAMENTO


o acontecimento não tem
mediação da linguagem
e no entanto
linguagem é acontecimento

Um exemplo
Paulo Freire e a cultura do silêncio
o itálico é um acontecimento
entendido, transbordado
a partir do corpo
a partir ti jo lo
com e para o corpo
enquanto a cultura do silêncio ela mesma
é sobre o corpo

talvez não seja compreensível
essa conversa fragmento
que quer dissolver
a dicotomia manual x intelectual
e inventar outra coisa
inventar uma linguagem que seja convivida
que seja acontecimento

Uai, justamente
a manualidade é aquilo que não
se pode explicar
como o sexo, como uma bomba
só se pode conviver
ou fugir

ir à cachoeira (e sentir o transbordamento de sentido)
ou codificar a cachoeira?

Lisa Waud