domingo, 11 de junho de 2017


É porque somos bicho social, disse nosso Platão, que somos bicho neurótico.
É porque somos bicho que ri, disse nosso Angelius Silesius, que chegamos a invejar a falta de inveja da rosa.




ou: "A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê..."

quinta-feira, 11 de maio de 2017

transliteração de um caderno
ou: exercício para
TRANSBORDAMENTO


o acontecimento não tem
mediação da linguagem
e no entanto
linguagem é acontecimento

Um exemplo
Paulo Freire e a cultura do silêncio
o itálico é um acontecimento
entendido, transbordado
a partir do corpo
a partir ti jo lo
com e para o corpo
enquanto a cultura do silêncio ela mesma
é sobre o corpo

talvez não seja compreensível
essa conversa fragmento
que quer dissolver
a dicotomia manual x intelectual
e inventar outra coisa
inventar uma linguagem que seja convivida
que seja acontecimento

Uai, justamente
a manualidade é aquilo que não
se pode explicar
como o sexo, como uma bomba
só se pode conviver
ou fugir

ir à cachoeira (e sentir o transbordamento de sentido)
ou codificar a cachoeira?

Lisa Waud


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sua voz
gravada
Uns vinte minutos depois
faz a marca do punho na bochecha
lembrar estar vivo dói sempre
mas tranquilo, tudo bem
só devolve o meu thauma
que tudo fica certo de novo.
também eu não sei fingir nem criar
as crianças. mas Nora, quando
sai de casa, é sempre mais
cheia de culpa
e eu, quando vou pra escola,
vejo os alunos, olhos de ocre espelhado,
mostrando sempre que não sei
o que é mesmo querer


Life is a line, disse a versão em inglês do poema da ana luisa amaral
Não especificamente uma fila
Nem um ponto

aaron tiley

sábado, 25 de fevereiro de 2017

o céu rosa, os micos, os maracanãs
amanhecendo

e a voz
"Quem mandou roubar!!!"
dum
corpo esguio sem blusa entre outros esguios
com pedaço de pau batendo
batendo em alguém (?)
atrás do muro