segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

E então, do terceiro mergulho,
surgiu uma terceira pessoa
num terceiro rio.

Se enxugando à margem, ouviu dizerem-lhe "você é o crônico da saudade mal-parada".

Crônico?, uma sexta pessoa 
pensou, cronicomoassim?

Crônicassiduidade, resolveu afinal 
o trigésimo terceiro quinto daquele mesmo quinhão, 
pois que de permanente, aqui, tem só a crônica da repetição. 

15 comentários:

Anônimo disse...

Chamo-me Legião, porque somos muitos...

Eliza Morenno disse...

delícia de texto

eu mesma, só que sem conseguir acessar minha conta; e querendo me lembrar disto mais tarde disse...

http://www.ideafixa.com/francesca-woodman-fotografa

Anônimo disse...

Eu que não acredito em nada (ou muito pouco), tive um sonho desses esquisitos.
Sonhei mesmo que lia e sentia evidente umas dessas carolices de Platão (aquele que sonhava ser Sócrates):
"A Beleza é um deus."
Se isso era evidente, imbecil perguntei esquecendo o Filebo/Mancebo/Quantossebo:
"Eros também?"
Acordei assustado mas não com as carolices evidentes/anunciadas/sentidas/reveladas/inventadas. Metafísica resta a desconfiança:
Sou outro quando durmo ou um mesmo mentiroso invencível em vigília?

Na casca de limão disse...

Quanto empenho em estar na defensiva com o nosso Platão (e em tão poucas frases)!

talvez você pudesse experimentar ler o Parmênides, já que é assim, a ver com o que é que sonha. que te parece?

ou então: se você se vê como um dormindo e outro acordado, não está incorrendo justo no risco de [ser] o tão temido dualismo?

talvez seja mais seguro correr logo procurando as pontes entre os dois antes do deus-me-livre...

silencioemmovimento disse...

Pode não ser algo pra se orgulhar ter sido platônico em um sonho (pesadelo?), mas deve ser quase um privilégio poder ter sido pagão, ainda que em um breve momento de delírio — como se fosse um privilégio ter crido com a franqueza das entranhas que Eros (nem tanto a Beleza) é um deus. Houvesse mais valiosa moeda do que a descrença da vigília, seria a moeda do paganismo! Será essa a utopia onírica da vigília descrente? Será esse o sonho daquele que dorme na noite do niilismo? O sonho do descrente era crer?

Ah, quantos anônimos interessantes ainda há nesse mundo! Mas, ai!, quando os conhecemos...

Anônimo disse...

..."vemos que são todos insuportáveis!!!"

"Embrace the polarity of life, all the good and bad we share..."

Pílula de auto-ajuda aqui colhida. Impossível não gostar.

silencioemmovimento disse...

Função autocompletar. Meu navegador não preencheu com "insuportável", mas ..."tornam-se amiúde desinteressantes!!!". Até porque, afro-samba-cântico-assanhado-de-ossanha, "amor só é bom se doer". Pílula de auto-ajuda? Que nada! Fico é com a pílula-assanhada!

fernanda disse...

eu nunca entendo nada desses comentários. o que talvez me dê a pista de que não entendo os poemas. help!

Na casca de limão disse...

acho que não, dru.

é que às vezes aparecem umas conversas paralelas (ou transversais?) aqui.

não sei bem pq haveriam de ser aqui. mas até gosto que sejam, me dão a sensação de que essa qualquer coisa que eu coloco na casca dá a pensar alguma coisa nos outros; mesmo que os temas das conversas são outros.

será? pode ser também só consequência da vontade de falar anonimamente (o que era justamente um tópico desta paralela da vez).

mas, de qualquer modo, o fundamental é que esta paralela fez foi o Silêncio e o Anônimo perceberem uma afinidade. Sendo do humano o hábito de se aninharem e reconfortarem quando isto acontece, eles ficaram comentatoriamente amigos.

quem sabe, então, se agora o anônimo não se apresenta e não chama o Luan pra tomar um café?
será?

fernanda disse...

tudo doido de pedra! mas se a casca dá a ver essa leitura, beleza... gostei da dupla silêncio-anônimo.

silencioemmovimento disse...

Vê-se que Flora não sabe que afinidade é afinar e alfinetar com fino alfinete. Pudera, acreditar que amizade se faz aninhando-se em ninharias de ninhos! Não há conforto quando espinhentos se aninham. E amizade, se é que há, está longe dos confortos das almofadas.

Na casca de limão disse...

sabe, é difícil acreditar num Silêncio tão verborrágico...

então, tentativa de conversar dentro do paradoxo: quem disse que o conforto sempre tem a ver com almofadas?

Anônimo disse...

Conforto talvez seja repetição, o que nos remete novamente ao post provocador.

De minha parte, acho q estamos sempre gravitando aqui em torno disso. O que é instância do um, o que é individual, ser muitos e o mesmo sob um não-nominado (esse o meu caso).

Apesar de Dona Cascuda continuar me apelidar como bicho dos mais feios continuo na teimosia de sempre. E esse o meu conforto.

Sobre o café, ele já reuniu a autora e os comentadores/doxógrafos algumas vezes. Mas sinto q não sou boa companhia p/ o círculo.

Segredo de polichinelo. Mais um.

Na casca de limão disse...

Vou te chamar, então, de Maracanã, que é bicho definitivamente bonito [mesmo secretamente achando todos os bichos de algum modo sempre bonitos]. Posso?

E, neste caso, ainda tomaremos muitos cafés, Maracanã.

(=