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quarta-feira, 11 de abril de 2012

respiração cutânea ou "sobre a necessidade de ajudar o deus"



[pia bramley]


Quando sinto o nó, ele sempre já esteve dentro da pele.
é corpo estranho, grita o corpo, querendo expulsar.
é desassossego qualquer, condescende o cansaço.

No então, nó já mora e mendiga. E ele cresce.
Ninguém mais vê e ele cresce.
Tento dizer e ele cresce.

Procuro nos poetas nó que se pareça.
Oblívio óbvio: na procura do pronto não se vê.
Então procuro mais, para só ver crescer mais meu nó.

Fecho os olhos, entro n'água: agora o mundo precisa de mim.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

É que não tenho um filho.
Então me nino contando a imaginada de como isso seria.
Como é ser atenção de todo cuidado? Ser devoção pelos detalhes, saber urgência de amor que não quer nada em troca?
Quando olho assim, a metalíngua vem me dizer que tem hora e lugar para se saber filho de si.
É que, no profundo, eu sei que me amo, mas é amor de longe, amor de subsistência; coisa que se esquece à tarde.
Mas, na casca, não me amo nem por amor à vida, porque não é por amor de volta. Me amo por amor de ser, sinônimo de fazer.